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Minha experiência na Feira de Milão: tendências e inspirações para 2026

Foto do escritor: Mibela Rech
Mibela Rech
há 12 minutos
3 min de leitura

Por Maria Eduarda Ferrer | Arquiteta e Urbanista



Visitar a Feira de Milão foi uma experiência enriquecedora, que ampliou meu olhar sobre a arquitetura, o design e as diferentes formas de pensar os espaços. Reconhecido como um dos eventos mais importantes do mundo no setor moveleiro, o Salone del Mobile reúne anualmente grandes marcas, designers e profissionais de diversos países, apresentando inovações e tendências que influenciam o mercado internacional.

Mais do que uma exposição de móveis, a feira é um espaço de inspiração, criatividade e troca de experiências. É onde novas ideias ganham forma, materiais são explorados de maneiras surpreendentes e o design revela caminhos que irão influenciar os projetos de arquitetura e interiores nos próximos anos.



As tendências que marcaram 2026

Uma das características mais marcantes desta edição foi a valorização do conforto, da personalidade e da conexão com os materiais naturais. O mobiliário contemporâneo aparece cada vez mais associado ao bem-estar, com peças que equilibram estética, funcionalidade e sensações.

Nos móveis soltos, sofás, poltronas e cadeiras ganharam destaque pelas formas orgânicas, curvas generosas e volumes acolhedores. Os estofados apresentam desenhos mais fluidos, com assentos profundos, encostos arredondados e proporções que convidam ao relaxamento. As peças deixam de ser apenas elementos funcionais e passam a assumir um papel de protagonismo na composição dos ambientes.


Estande Minotti - Sofá curvo em couro escuro e poltrona de desenho escultórico


Mesa de Centro – Bontempi, unindo diferentes materiais e formas orgânicas


Outro aspecto interessante é a presença de móveis com identidade própria, quase como esculturas. Mesas de centro e laterais exploram geometrias inusitadas, bases robustas e combinações de materiais, enquanto poltronas e cadeiras se destacam por desenhos autorais e detalhes que valorizam o trabalho artesanal.


Poltrona Natuzzi - revestimento texturizado e design que une conforto, personalidade e sofisticação.


Na paleta de cores, os tons terrosos e naturais continuam em evidência. Variações de bege, areia, caramelo, terracota e marrom aparecem acompanhadas de verdes profundos, bordôs e tonalidades mais intensas, criando composições sofisticadas e acolhedoras. A proposta é trabalhar as cores de maneira equilibrada, permitindo que os ambientes transmitam personalidade sem perder a sensação de harmonia.


Estande Meridiani-  Estofados em tons profundos de vinho e terracota, uma mesa de centro em pedra natural e iluminação quente.


Os tecidos e revestimentos também merecem atenção especial. Texturas marcantes, tramas aparentes, veludos e tecidos com aspecto natural reforçam a importância da experiência sensorial no design. O toque, a aparência e o conforto dos materiais passam a ter tanta relevância quanto a estética das peças.


Tacchini - O estande foi concebido com tecidos leves e suspensos, criando uma arquitetura têxtil.


A madeira segue como protagonista, especialmente em acabamentos que evidenciam seus veios e sua textura natural. Pedras, metais e vidros também aparecem em composições que exploram contrastes entre superfícies, transparências e diferentes acabamentos.


Estande Laurameroni - Mesa redonda em mármore Calacatta Viola e fundo em painel de madeira 


Outro movimento importante é a valorização de peças atemporais, com qualidade construtiva e versatilidade. Mais do que acompanhar tendências passageiras, o design contemporâneo demonstra uma preocupação crescente com a durabilidade, a sustentabilidade e a criação de móveis capazes de permanecer relevantes ao longo dos anos.


Coleção Hinode - KOYORI, assinada por Vincent Van Duysen. O mobiliário apresentado no estande da marca deste ano, em madeira maciça valoriza a precisão artesanal, a durabilidade e o desenho atemporal.


Muito além das tendências

Estar em Milão e acompanhar de perto tantas referências reforçou algo em que acredito profundamente: a arquitetura e o design devem ir além da estética. Um ambiente bem planejado precisa despertar sensações, proporcionar conforto e refletir a identidade de quem o utiliza.

Voltei dessa experiência com um repertório ainda mais amplo e com a certeza de que as tendências são importantes fontes de inspiração, mas devem ser interpretadas de maneira individual em cada projeto. Afinal, o verdadeiro valor do design está em transformar referências em espaços autênticos, funcionais e cheios de significado.


 
 
 

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